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sexta-feira, 20 de julho de 2012

" Ao renascer das cinzas "

Quando tudo parece tão monótono, tão deprimente, rompe de mim uma pluma. Ao fixar o olhar numa prova de que a minha alma ainda mantém um resto de confiança, daquilo que me fez existir em tempos, solto um grito aprisionado por tanto tempo, que junta uma mista de alívio, tristeza, paz e raiva e tantas outras emoções confusas. 
Contemplo o raiar do sol após uma longa noite de escuridão anestesiada por incompreensão, raiva e culpa da qual não tinha, vagueio na grandiosidade despercebida do sol, caio em mim, solto um sorriso e lanço um suspiro tão profundo, que faz romper mais umas quantas plumas oferecidas pela alma, sinto-me leve, sinto-me bem, sinto-me parte da vida real. Levanto-me, ando uns poucos passos, olho
para baixo, e envolvo-me na diversão das ondas ao embater na falésia, dou gargalhadas puras, fecho os olhos, a sensação amiga do vento ao percorrer de leve o meu corpo, abro os olhos, ergo os braços, corto as forças do meu corpo e deixo-me cair pela falésia. Sinto a adrenalina ao rasgar o vento, sinto-me feliz, saciado até. Ao concordar em pleno com isso, no aproximar do azul mágico do mar, rompem-se de mim milhares de plumas, ganho asas, e combato a queda dita certa, choro enquanto sorrio, bato asas e sigo rumo a conhecer de perto aquilo que me fez ganhar vontade de voar...
... quando tudo parece tão simples, tão envolvente, rompe de mim uma vontade de dar a mim mesmo a oportunidade, de amar as pequenas plumas todos os dias, as puras, que se mantiveram fiéis a mim, sempre que precisei delas.