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sábado, 15 de setembro de 2012

"A criatura dos infernos"

E dos confins dos infernos surges tu, criatura, para atormentar a minha até então apaziguada  vida, alma não faz parte do teu ser mas no entanto corrompes as dos outros como que para saciar uma sede do tamanho do mundo. És a podridão dos confins e há quem te julgue dona de vastos impérios, sugas tudo o que brota vida ao teu redor, o teu rasto mostra tudo gélido e deformado pelas impurezas do teu corpo horrendo. Olhas-nos nos olhos, penetras a nossa alma e lanças chamas aos corpos e mentes. Eu e tantos outros fugimos de ti até ao limiar do horizonte, gritamos arrancado cabelos, cortando braços,  matando brutalmente quem a nossa fuga atrapalha. Ao chegar ao limiar caímos de uma altura inimaginável, invadimos o submundo e os insanos de nós têm medo, sentem o cheiro de vingança que espalhamos, caem a nossos pés e tornam-se o nosso súbdito exército e nós, nós aguardamos que destruas tudo de bom no mundo para que voltes a casa e aí, aí acorrentamos-te durante trinta mil anos, somente para sofreres tamanha agonia como Prometeu sofreu diariamente, por milénios.