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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

" Por sete mares!"

Sozinho no cais, olho as belas lá no alto,
enrosco-me no abraço do vento, suspiro e penso,
então e a sorte não caminhou a meu lado, pés firmes no asfalto?
Isto é mesmo a ultima enseada, depois é, de novo o começo ?

O mar espelhado por mantos estrelares, ouve-me serenamente,
o barco vai balançado, a lamparina apagando, mas opinam...
As lágrimas fogem-me, o rum tenta-me, mas é o futuro o eloquente,
Respiro fundo e pego o leme, decidi, as tristezas, aqui terminam!

Navego o tempo e o espaço, e percorro toda a costa da vida!
Aqui e ali, são milhares como eu, à deriva no cais,
são almas que já não querem pés no chão, em terra batida,
são andorinhas-do-mar dirigidas pelo encanto da maré, pelos ventos ancestrais!

Que bom que é, ser livre e saltar de porto em porto!
O anuncio das gaivotas ao amansar o barco na costa,
o cheiro do diferente que vivifica qualquer tempo morto!
Esta vida deixada à deriva, a mim, de certo não me assusta!

E já fui de uma terra, mas tantas já conheci e percorri,
que hoje não sou apenas de uma, sou de todas!
Pintei as docas nos meus olhos, os amores nas memórias e sorri,
Cantei tempestades, soltei gritos de aventura, que se danem as bodas!

Mas o tempo passa e o mundo já não é tão grande assim...
Procurei-me, e tantas vezes me encontrei onde menos esperava,
A adrenalina apaga-se e o pedido de aconchego emana de mim,
Eis agora a hora, de dar a mão ao horizonte, aquele que em terra espreitava.


Chegou então o dia, em que a embarcação murcha, que se torna descorada.
Que a vida não se esqueça, que percorri os sete mares e por lá vivi,
pois começa então aqui, a aventura de assentar num porto, de percorrer cada beirada!
E que bom que é, um porto seguro! Em mar andei, em mar sorri, a ti encontrei, por ti renasci!