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terça-feira, 23 de junho de 2015

" Olha-me sem me olhares..."

Passamos de tudo a nada  tão depressa e depressa arde a ferida aberta sobre a alma. Quando menos se espera é-nos prendada a chama pura mas vagueámos no vazio tanto tempo, que mesmo vendo os primeiros raiares do sol ao longe, amedrontados fingimos-nos cegos. Cegos para não viver, cegos para não sentir, cegos para não tocar, amar ou voar.
Ecoam gritos nas ruelas da mente, traz a consciência o medo puro e encanta a loucura faminta de desejo... sei lá eu a quem dar ouvidos!
Olho-te sem olhar, dispo-te a capa dura que trazes sobre a alma, olhas-me sem olhar e descobres alguém que eu julgava extinto.
Pedia-te ajuda cada vez que me dás a mão, cada vez que me abraças, cada vez que as linhas se fundem ou os corações se tornam num só, mas para quê? Andamos os dois à deriva no mesmo barco, atentos ao silêncio do mesmo oceano. 
Passamos de nada a tudo tão depressa, que não sabemos conviver com a cicatriz saliente do passado... e agora? Agora é apenas olhar sem olhar... silêncio... nós.