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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

" Comer, orar... vaguear"

Penso que todos nós temos a tendência em dividir o passado por capítulos, acho que é normal com tanto que se vai acumulando ao longo do tempo. A minha vida até agora, tem sido como a de tantos outros penso, voltas e reviravoltas, quedas, risos, alegrias, tristezas e o pior, as incertezas e a ausência de forças. Num dos meus capítulos, consegui julgo eu, alcançar o mais fundo dos fundos, o desespero total, mas consegui ter força e superar. Passado alguns anos, voltei a ficar perto do mesmo, mas desta vez, como não me deixei cair, decidi impor-me e seguir aquilo que me faz feliz, pensei que era e ainda penso, que é o mais sensato, seguir o que nos faz felizes. Regressei a Portugal de ideias firmes, a minha terra, os meus amigos, o eu que perdera... não sabia eu que nunca mais o encontrava, o passado foi e ele foi junto. Aprendi cada vez mais, que pelo menos eu não preciso de dinheiro e bens para me sentir feliz, basta-me comer, orar e amar (é engraçado usar o titulo da Elizabeth Gilbert, mas é a melhor descrição a dar). O comer foi algo que desde cedo aprendi que é insubstituível, não tanto pelo óbvio, mas por me deixar feliz, por ser terapêutico por ser fator de união e paz. O orar, bem, não é fácil ser positivo e sonhador se não aprendermos a lidar com nós mesmos, com o que sentimos... a meditação é o salva-vidas num mar de tristezas muitas vezes. O amar... o primeiro amar tem de ser aquele por nós próprios, sem ele a tranquilidade nunca existirá... depois vem o amor dos outros, sabemos de partida quem nos ama, sejam amigos ou pais, irmãos ou primos, mas rapidamente os distinguimos, se te procuram quando perante o mundo não existes, é porque és mais do que o mundo pensa, és mais para eles do que imaginas... até aqui tudo bem, a parte complicada é quando falamos da alma gémea, aquela que amamos com os olhos inundados em brilho, com um sorriso tolo e pensamentos privados... pelo menos falo por mim, porque se no passado sofremos tanto por alguém, no presente temos medo de nos entregar, não vá acontecer o mesmo, ninguém gosta de fracassos, muito menos de repeti-los, mas como saber distinguir? Não sabemos, é isso que faz do amor platónico o mais difícil, não é fácil arriscarmos de olhos fechados quando não acreditamos que alguém seja capaz de nos amar dessa forma tão intensa. Pergunto-me quanto tempo levarei a atingir a etapa final, para a auto-gestão e auto-conhecimento... para já, comer, orar...  vaguear.